“Tecendo a rede, mas com que paradigma?” é o questionamento da conferencista Maria Cândida Moraes, da Universidade de São Paulo (USP) e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), na 5ª Educática – Tecnologias da Informação e da Comunicação Educacional. A palestra será às 14h do dia 4 de junho (sexta-feira), no Centro Cultural e Educacional Argos (Ceca).
De acordo com Maria Cândida, as novas tecnologias digitais vêm favorecendo novas formas de acesso a informações, novos estilos de sentir/pensar e novas dinâmicas no processo de construção do conhecimento. Funções cognitivas estão sendo ampliadas, modificadas, exteriorizadas de diferentes maneiras, em função das tecnologias digitais que navegam no ciberespaço.
Entretanto, o uso de tais recursos vem sendo aliado à concepção tradicional da educação, fortalecendo o pensamento positivista, instrucionista, prestigiando a função informativa do computador, da escola e dos sistemas educacionais, em detrimento de sua função construtiva, dos aspectos reflexivos e criativos que o uso dessas ferramentas também favorecem. Em vez de ajudar a educação a reduzir os desequilíbrios existentes entre os aspectos informativos e construtivos dos sistemas de ensino, essas ferramentas vêm fortalecendo práticas pedagógicas tradicionais, tecnologicamente sofisticadas, mas política e pedagogicamente vazias e empobrecidas.
O conhecimento em rede e os processos de construção de conhecimento vêm exigindo, não apenas novos espaços do conhecimento, mas também novas metodologias, novas práticas fundamentadas e novos paradigmas. Espaços abertos, conhecimentos emergentes e dinâmicas não lineares requerem um novo paradigma, uma nova pedagogia que reconheça o aprendiz em sua multidimensionalidade e que, ao mesmo tempo, favoreça a aprendizagem individual e coletiva a partir do balanceamento adequado das dimensões construtiva, criativa e informativa possibilitadas por essas ferramentas.
Como conceber propostas de educação à distância que vejam os aprendizes/aprendentes como sistemas vivos, seres multidimensionais em constante processo de auto-organização? Como superar a dicotomia apresentada pelos modelos convencionais da maioria dos cursos à distância? Que aportes teóricos poderão ser utilizados para se desenhar um novo modelo pedagógico para ambientes de aprendizagem informatizados? Como desenvolver ambientes interativos de aprendizagem que colaborem para o desenvolvimento da autonomia, da cooperação, bem como para o cultivo de talentos tanto para a ciência como para justiça, solidariedade e paz?
A partir de exemplos de ambientes telemáticos, pretende-se tecer algumas considerações sobre a concepção, a metodologia, o funcionamento e os produtos oferecidos por esses ambientes à luz de um novo paradigma educacional. Tais ambientes favorecem a construção de redes de conexões voltadas não apenas para o processo de construção do conhecimento, mas também para a aprendizagem da religação e para aprendizagem da paz.
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